Dá para comer? Antes de virar esponja de banho, bucha vegetal pode ser consumida igual abobrinha; conheça plantação no interior de SP

  • 08/08/2026
(Foto: Reprodução)
Plantação de buchas vegetais com quase 1 metro de comprimento vira atração em propriedade Lufa, esponja vegetal, bucha-dos-paulistas e até lava-pratos, conhecida por diferentes nomes, a bucha vegetal (Luffa cylindrica ou Luffa aegyptiaca) é utilizada para tomar banho ou lavar louças. O fruto nasce em uma planta trepadeira do gênero Luffa, pertencente à mesma família da abóbora, do pepino e da melancia (Cucurbitaceae). Quando ainda está verde e imaturo, o fruto pode ser consumido como alimento, de forma semelhante à abobrinha. Já quando amadurece e seca, resta uma rede de fibras naturais, que é utilizada como esponja. Saiba mais ao final da reportagem. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp Na zona rural de Óleo, no interior de São Paulo, uma propriedade turística chama a atenção dos visitantes por cultivar buchas vegetais que chegam a quase 1 metro de comprimento. As peças gigantes despertam a curiosidade de quem passa pelo local. A responsável pelo cultivo é Sandra Aparecida Marques de Lazzari, de 53 anos, natural de Bernardino de Campos (SP). “Muitos visitantes ficam encantados quando conhecem a plantação. Como poucas pessoas conhecem o processo de produção da bucha vegetal, ela desperta bastante curiosidade e acaba se tornando uma experiência educativa durante a visita”, diz Sandra. Buchas com quase 1 metro de comprimento chama atenção de visitantes em propriedade turística Arquivo pessoal/Sandra Aparecida Marques de Lazzari O cultivo das buchas vegetais é feito na propriedade da família de Sandra, que também funciona como espaço de turismo e hospedagem. Além da produção agrícola, o local recebe casamentos, aniversários e eventos corporativos. “Durante muitos anos, ela foi um lugar de encontros, descanso e contato com a natureza. Percebemos que poderíamos proporcionar essa mesma experiência para outras pessoas. Assim surgiu a ideia de transformá-lo em um empreendimento voltado para eventos, hospedagem e, mais recentemente, para o agronegócio sustentável”, explicou a empreendedora. Segundo Sandra, o cultivo das buchas vegetais se tornou um dos principais projetos desenvolvidos na propriedade, unindo a atividade no campo ao turismo rural e despertando a curiosidade dos visitantes. A empreendora Sandra é uma das responsáveis pela propriedade e conversou com o g1 Arquivo pessoal/Sandra Aparecida Marques de Lazzari A produtora rural conta que a ideia de cultivar buchas vegetais surgiu durante a busca por alternativas para diversificar as atividades da propriedade. Segundo ela, o objetivo era investir em uma cultura sustentável, com potencial de crescimento e alinhada aos valores ambientais do local. “Foi então que conhecemos melhor a bucha vegetal e percebemos seu potencial de mercado. A sustentabilidade foi um dos principais fatores. Ela é biodegradável e atende a uma demanda por produtos naturais. Enxergamos uma oportunidade de agregar valor à propriedade e desenvolver um negócio inovador na região”. O primeiro plantio foi realizado em dezembro do ano passado. Ao todo, cerca de 1,2 mil pés de bucha vegetal foram cultivados em uma área de aproximadamente um hectare. A colheita ocorreu entre maio e julho deste ano e resultou em quase 750 dúzias de buchas. De acordo com o especialista, a bucha vegetal é uma trepadeira alta e faz parte família das cucurbitáceas Arquivo pessoal/Sandra Aparecida Marques de Lazzari Mudanças e aprendizados Apesar do conhecimento em administração de empresas, Sandra ainda não tinha experiência com a agricultura. Ao g1, ela compartilhou que esse foi um processo cheio de aprendizados. Para conseguir tocar o projeto, a empreendedora conversou com produtores experientes, participou de programas de inovação rural e de pesquisa prática em campo. “Como todo novo empreendimento, houve insegurança e vários desafios técnicos, mas persistimos porque acreditávamos no potencial do projeto. Estamos conciliando o projeto em paralelo, está sendo um período de muito aprendizado, adaptação e desenvolvimento pessoal." Além de aprender sobre o cultivo, Sandra precisou entender como funciona o mercado para comercializar o produto. “Ainda estamos aprendendo sobre mercado, precificação, negociação, logística, branding e estratégias comerciais para transformar a produção em um negócio sustentável”, apontou Sandra. Ao falar sobre essa trajetória, a produtora rural disse que o processo tem sido de superação. Segundo ela, empreender no campo exigiu coragem para sair da zona de conforto, aprender uma nova profissão e enfrentar os desafios encontrados ao longo do caminho. LEIA TAMBÉM: De São Miguel Arcanjo para o mundo: como cidade de SP virou referência na produção de chá japonês Caqui vistoso, atemoia 'de sobremesa', wasabi fresco e uva mais doce que cana: por que Pilar do Sul se destaca por cultivos diferentes? De campos de futebol a jardins: região de Itapetininga é responsável por 18% da produção de grama do Brasil, aponta pesquisa “Hoje acredito que essa trajetória mostra que nunca é tarde para recomeçar. A Quinta de Brumado representa muito mais do que um negócio, é a realização de um propósito de unir natureza, sustentabilidade, empreendedorismo e qualidade de vida”. Para conseguir realizar o cultivo da bucha vegetal, foi necessário buscar conhecimento sobre agricultura Arquivo pessoal/Sandra Aparecida Marques de Lazzari Apesar dos bons resultados com o cultivo de buchas vegetais, a família não pretende concentrar as atividades apenas nessa produção nem deixar o turismo de lado. “O local continuará sendo um espaço de eventos, hospedagem e experiências na natureza, enquanto o agronegócio, especialmente a produção de bucha vegetal, se consolida como um novo pilar do negócio”, disse. Produção e comercialização Para viabilizar o cultivo das buchas vegetais, a família construiu uma estrutura de condução das plantas no sistema de parreira latada. Também foram implantados sistemas de irrigação e organizadas áreas para beneficiamento, secagem e armazenamento, além da adaptação dos processos de colheita e pós-colheita. “Tudo foi sendo desenvolvido gradualmente, conforme o projeto crescia. É um trabalho bastante intenso e exige acompanhamento diário. Desde a irrigação, adubação, condução das plantas e controle do desenvolvimento, tudo precisa ser monitorado para garantir qualidade”, explicou Sandra. O cultivo das buchas é feita dentro da propriedade turística em Óleo, no interior paulista Arquivo pessoal/Sandra Aparecida Marques de Lazzari Sandra explicou como funciona a colheita das buchas, feita manualmente pelos funcionários da propriedade rural. “Depois passam pelo beneficiamento, secagem, seleção por tamanho e qualidade e, por fim, seguem para armazenamento e comercialização. [Atualmente] tivemos uma boa colheita, com resultado satisfatório, porém, com muito trabalho, em razão do período de inverno chuvoso”. Após a colheita, as buchas vegetais são destinadas à venda. Atualmente, a produção de Sandra é vendida para indústrias do setor, mas a família já planeja estruturar uma marca própria e ampliar a venda para lojas de produtos naturais e mercados. “Toda a produção é destinada à comercialização. Nosso objetivo é atender tanto a indústria quanto o mercado consumidor, levando um produto natural e sustentável”, apontou. Todo o manejo das buchas vegetais é feito manualmente e com a participação de colaboradores Arquivo pessoal/Sandra Aparecida Marques de Lazzari Segundo Sandra, as buchas vegetais são encaminhadas inteira ou, dependendo da escolha do comprador, são divididas em pedaços. “Os valores variam conforme o tamanho, qualidade das buchas e a demanda do mercado", finaliza a produtora. Dá pra comer? De acordo com o engenheiro agrônomo Edegar Petisco, de Itapetininga (SP), a bucha vegetal (Luffa aegyptiaca ou Luffa cylindrica) é uma planta trepadeira de grande porte pertencente à família das cucurbitáceas, a mesma das abóboras, abobrinhas e melancias. Segundo o especialista, a espécie não é nativa do Brasil e, conforme registros da literatura, teria origem no Egito. “No passado, as pessoas tinham o hábito de plantar a bucha vegetal, pois não existia uma variedade de esponjas. Me lembro da vida inteira de tomar banho com essa bucha”, contou. Ao g1, a proprietária relatou que o cultivo da bucha é um dos grandes projetos desenvolvidos no local Arquivo pessoal/Sandra Aparecida Marques de Lazzari “Ela é uma trepadeira, se você plantar ela perto de um pé de fruta, a tendência é abafar com toda a folhagem, o que pode prejudicar outras espécies. O ideal é plantar em uma cerca ou muro, para que ela tenha esse hábito de escoramento”, acrescentou. O agrônomo ressaltou que o vegetal possui uma fibra dura e que pode ser cultivado de forma simples. “A semente possui um tamanho parecido com a de uma abóbora, só que ela tem a coloração escura. Se você colocar duas ou três sementes em uma cova, fizer um plantio, com certeza terá uma grande quantidade de bucha”, concluiu. Sobre o consumo da bucha vegetal, o especialista explica que o fruto pode ser consumido enquanto ainda está jovem, quando os tecidos da planta possuem menor quantidade de fibras. Segundo ele, isso ocorre porque as partes mais novas dos vegetais ainda não acumularam tanta celulose e lignina, substâncias que contribuem para a formação e o endurecimento das fibras. “Os tecidos jovens dos vegetais ainda têm pouca fibra formada, ou essa fibra não amadureceu. Isso permite que sejam consumidos”, explica. "Os tecidos jovens dos vegetais ainda têm ainda pouca fibra formada, ou essa fibra não amadureceu. Isso permite com que ela [bucha] seja consumida. É uma cucurbitácea, ou seja, é um primo da abóbora e da abobrinha. Veja a abóbora, quando é nova, você consegue consumir ela com facilidade. Depois de madura, tem que cozinhar muito", completa o agrônomo. Ao todo, foram plantados cerca de 1,2 mil pés de bucha vegetal em aproximadamente 1 hectare Arquivo pessoal/Sandra Aparecida Marques de Lazzari *Colaborou sob supervisão de Larissa Pandori Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/itapetininga-regiao/noticia/2026/08/08/da-para-comer-antes-de-virar-esponja-de-banho-bucha-vegetal-pode-ser-consumida-igual-abobrinha-conheca-plantacao-no-interior-de-sp.ghtml


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