BC vê inflação desacelerando, mas aponta pressão do petróleo e de gastos públicos; porta fica aberta para próxima reunião

  • 11/08/2026
O Banco Central observou nesta terça-feira (11) que a inflação para os consumidores desacelerou nos últimos meses, embora ainda permaneçam acima das metas fixadas, e apontou que há pressão dos gastos públicos (estimulando a demanda) e de choques de oferta, como a alta do petróleo — decorrente da guerra no Oriente Médio. As análises constam na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, realizada na semana passada, quando a taxa básica de juros da economia brasileira foi reduzida para 14% ao ano - no quarto corte seguido. Em termos reais, porém, o juro brasileiro ainda é o maior do mundo, segundo levantamento da MoneYou. "No contexto atual de incerteza em níveis historicamente elevados, com riscos assimétricos na direção altista para os preços, o Comitê reitera que a magnitude do ciclo de calibração será ajustada à luz da evolução do cenário, de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta", informou o BC, a ata do Copom. ➡️Com isso, a autoridade monetária não indicou o que poderá fazer na próxima reunião do Copom, marcada para 15 e 16 de setembro, deixando a porta aberta para tomar a decisão somente nos dias do encontro — com base nos últimos indicadores da economia. 🔎A taxa básica de juros da economia é o principal instrumento do BC para tentar conter as pressões inflacionárias, que tem efeitos, principalmente, sobre a população mais pobre. Gastos públicos O Banco Central informou, na ata da última reunião do Copom, que há evidências de que a política de juros altos, implementada nos últimos anos, apesar dos cortes recentes da taxa Selic, estejam surtindo efeito sobre a inflação — que tem mostrado desaceleração. "Embora a política monetária [juros altos] esteja contribuindo de forma determinante para o processo de desinflação, a inflação permanece pressionada pela demanda, exigindo que a política monetária mantenha caráter restritivo [taxas ainda elevadas para padrões brasileiro e internacionais]", informou o Copom. ➡️O BC apontou, também, que a chamada "política fiscal" (relativa aos gastos públicos) tem um impacto de curto prazo na inflação, "majoritariamente" por meio de estímulo à demanda agregada (pressionando a taxa de juros). Avaliou, ainda, que o aumento de gastos "tem potencial de afetar a percepção sobre a sustentabilidade da dívida e impactar o prêmio a termo da curva de juros". "Uma política fiscal que atue de forma contracíclica [corte de gastos para conter a inflação] e contribua para a redução do prêmio de risco favorece a convergência da inflação à meta. O Comitê reafirma a visão de que o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação em termos de atividade", acrescentou. Em entrevista ao g1 no começo de julho, o ministro da Fazenda, negou que decisões do governo federal sejam a principal causa dos juros elevados no país e afirmou que a equipe econômica fará um ajuste nas contas públicas nos próximos anos para cumprir as metas fiscais. "Eu não estou procurando culpados. Porque assim, quem é menos culpado é o Ministério da Fazenda por conta da taxa de juros. (...) Nós temos que discutir qual a razão da taxa de juros estar nesse patamar. O debate fiscal, ele importa para a taxa de juros, mas não é a solução, porque essa é a resposta fácil", disse o ministro da Fazenda, na ocasião. Choques de oferta O Banco Central avaliou, também, que a política de gastos públicos não é a única a pressionar a inflação corrente e as expectativas para os próximos anos. Segundo a instituição, choques de oferta, como o aumento do preço do petróleo decorrente da guerra no Oriente Médio, por exemplo, também têm impactado para cima os preços. "Choques de oferta têm exercido influência relevante tanto sobre a trajetória recente da inflação quanto sobre sua trajetória prospectiva. O Copom avalia que que não deve reagir aos efeitos primários de choques dessa natureza, mas que é necessário monitorar com atenção eventuais efeitos de segunda ordem, e reagir com firmeza caso esses efeitos se materializem", afirmou o BC. Como as decisões são tomadas Para definir os juros, a instituição atua com base no sistema de metas. Se as projeções de inflação estão em linha com as metas, é possível baixar os juros. Se estão acima, o Copom tende a manter ou subir a Selic. Desde o início de 2025, com o início do sistema de meta contínua, o objetivo foi fixado em 3% e será considerado cumprido se a inflação oscilar entre 1,5% e 4,5%. Com a inflação ficando seis meses seguidos acima da meta em junho, o BC teve de divulgar uma carta pública explicando os motivos. Ao definir a taxa de juros, o BC olha para o futuro, ou seja, para as projeções de inflação, e não para a variação corrente dos preços, ou seja, dos últimos meses. Isso ocorre porque as mudanças na taxa Selic demoram de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia. Neste momento, por exemplo, a instituição já está mirando na meta considerando o primeiro trimestre de 2028. Para 2026, 2027 e 2028, respectivamente, as estimativas de inflação do mercado financeiro estão em 5,02%, 4,22% e 3,80% - todas acima da meta central de inflação.

FONTE: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/08/11/bc-ve-inflacao-desacelerando-mas-ve-pressao-do-petroleo-e-de-gastos-publicos-porta-fica-aberta-para-proxima-decisao.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Anunciantes