Anabolizantes falsos: veterinários emitem receitas para laboratórios clandestinos terem acesso a substâncias restritas a animais
12/08/2026
(Foto: Reprodução) Anabolizantes falsos: veterinários emitem receitas para laboratórios clandestinos
Uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal prendeu um grupo suspeito de fabricar, vender e distribuir anabolizantes clandestinos e substâncias controladas.
Os investigadores cumpriram os mandados logo cedo no Distrito Federal e em oito estados - Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Norte, Paraíba e Acre. Foram 40 presos - três no Paraguai, em Cidade del Leste, fronteira com o Brasil em Foz do Iguaçu.
📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia
Um deles é Roberto Carlos Pereira de Carvalho, o “Jiraiya”, apontado como o chefe do esquema criminoso. Segundo a investigação, o grupo atuava havia pelo menos 12 anos e tinha lucros superiores a R$ 500 mil por mês com a venda de anabolizantes clandestinos.
Anabolizantes falsos: veterinários emitem receitas para laboratórios clandestinos terem acesso a substâncias restritas a animais
Jornal Nacional/ Reprodução
Segundo a polícia, os criminosos se organizavam em núcleos: uma parte fazia os rótulos dos produtos ilegais, que imitavam marcas que já existem. Nutricionistas e treinadores divulgavam os anabolizantes nas redes sociais e academias. Médicos veterinários emitiam receitas falsas para que os laboratórios clandestinos tivessem acesso às substâncias de uso controlado, restritas a animais.
“A gente chama, na expressão do jargão que eles usam, de ‘cozinheiros de anabolizante’. Cozinheiro por quê? Porque ele prepara a substância. Pega um insumo de um lugar, pega de outro e, com conhecimento empírico ali da prática, não tem conhecimento médico ou farmacológico nenhum. Daí a gravidade, porque eles inclusive incluem até óleo de cozinha dentro, substâncias que não têm nenhum vínculo com a necessidade de colocar ali, mas que são nocivas”, conta Rodrigo Carbone, delegado da Divisão de Defesa do Consumidor.
A operação apreendeu 25 carros de luxo e bloqueou quase R$ 33 milhões. Também fechou 13 estabelecimentos e tirou do ar 22 perfis de redes sociais. O grupo deve responder por crimes como formação de quadrilha, falsificação de medicamentos, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas.
O Jornal Nacional não conseguiu contato com a defesa de Roberto Carlos Pereira de Carvalho.
GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional
LEIA TAMBÉM
Chefes de esquema que usava Foz do Iguaçu para fabricar falsos anabolizantes e emagrecedores são presos no Paraguai
Anabolizantes triplicam risco de morte e aumentam em 9 vezes chance de doença no coração, alerta médico; entenda