‘Negra imunda’ e ‘viado nojento’: ex-dirigentes de escola viram réus por racismo e homofobia contra servidores, em Goiás

  • 11/06/2026
(Foto: Reprodução)
‘Negra imunda’ e ‘viado nojento’: ex-diretores viram réus por racismo e homofobia A Justiça de Goiás aceitou a denúncia do Ministério Público contra a ex-diretora Priscilla Gomes Guirrae o ex-coordenador Benício Ribeiro Júnior do Colégio Estadual Almirante Tamandaré, em Valparaíso de Goiás, no Entorno do Distrito Federal. Os dois viraram réus por crimes supostamente cometidos contra servidores da unidade escolar. A decisão é do juiz Gustavo Costa Borges, da 2ª Vara Criminal de Valparaíso de Goiás, e foi assinada no dia 8 de junho. No documento, o magistrado afirma que a denúncia apresentada pelo Ministério Público descreve condutas penalmente típicas e atende aos requisitos legais para abertura da ação penal. Ao g1, Priscilla Gomes Guirra negou as acusações e afirmou que “nunca ofendeu alguém dentro ou fora do colégio”. A ex-diretora disse ainda que atuou por mais de 20 anos na unidade escolar e que seus projetos eram voltados para “acolhida, diversidade e união”. O g1 não conseguiu localizar a defesa do ex-coordenador Benício Ribeiro Júnior até a última atualização da reportagem. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp Ao g1, a Secretaria de Estado da Educação informou que os dois servidores já foram exonerados da rede estadual. Segundo a pasta, o ex-coordenador atuava em contrato temporário, enquanto Priscilla Gomes Guirra era servidora efetiva e deixou o cargo ainda em 2023. Segundo Priscilla, o ambiente na escola “sempre foi tranquilo” e as denúncias surgiram uma semana antes da eleição para direção da unidade. Priscilla também afirmou que espera que testemunhas, imagens de câmeras e outros elementos sejam analisados pela Justiça durante o processo. Defesa das vítimas diz esperar condenação dos réus ao fim do processo O advogado das vítimas, Suenilson Saulnier, afirmou que recebeu a decisão com tranquilidade. “Recebemos com tranquilidade e naturalidade a aceitação da denúncia, aguardando que após o devido processo legal, em se provando a culpa dos réus, estes sejam condenados às penas máximas previstas”, declarou. Segundo a decisão, a ex-diretora e o ex-coordenador ainda não apresentaram defesa constituída. O juiz determinou que ambos sejam citados para responder à acusação no prazo de 10 dias e estabeleceu que, caso não constituam advogado, a Defensoria Pública deverá atuar na defesa dos acusados. Fachada da Escola Estadual Almirante Tamandaré, em Valparaíso de Goiás Google/Street View LEIA TAMBÉM: Funcionários denunciam diretora de escola por racismo e homofobia após serem chamados de 'negra imunda' e 'viado nojento' Adolescente denuncia racismo no trabalho: ‘Fizeram uma identidade em que a minha foto era um macaco’ Mulheres negras são alvo de racismo depois de postar vídeo de desfile nas redes: 'Preta fedida' Denúncias começaram em 2023 O caso veio à tona em março de 2023, quando funcionários denunciaram episódios de racismo, homofobia, injúria e humilhações dentro da escola estadual. À época, vítimas relataram à Polícia Civil terem sido chamadas de “negra imunda”, “negra nojenta” e “viado nojento”. Segundo as denúncias, os episódios teriam ocorrido dentro do ambiente de trabalho e na presença de outros servidores. A investigação apontou ainda supostas práticas de assédio moral e humilhações contra funcionários da unidade escolar. Um dos relatos indicava que uma servidora teria sido acusada injustamente de furto. Outra vítima afirmou ter sido constrangida pela gestora durante o expediente. Segundo a Polícia Civil, pelo menos quatro servidores denunciaram os fatos, entre eles funcionários da limpeza, um professor e uma ex-coordenadora da unidade escolar. Justiça autorizou pedido da polícia durante investigação Em uma decisão de novembro de 2023, o juiz Gustavo Costa Borges já havia autorizado pedido da Polícia Civil para que a Secretaria Estadual de Educação enviasse documentos relacionados ao procedimento administrativo aberto contra os investigados. Na ocasião, a Polícia Civil informou que investigava crimes de injúria, difamação e discriminação racial supostamente praticados contra servidores da escola. 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias em Goiás

FONTE: https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2026/06/11/negra-imunda-e-viado-nojento-ex-diretores-de-escola-viram-reus-por-racismo-e-homofobia-contra-servidores-em-goias.ghtml


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