Megaesquema de furto de cabos de cobre que movimentou mais de R$ 150 milhões em MG e outros estados é denunciado à Justiça
16/09/2026
(Foto: Reprodução) Toneladas de fios de cobre são apreendidas na Operação 'Cyprium'
Vinte e seis pessoas investigadas por integrar uma organização criminosa especializada no furto de cabos de cobre de redes de telefonia, internet e energia elétrica foram denunciadas à Justiça pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Segundo as investigações, foram identificadas movimentações financeiras superiores a R$ 150 milhões.
A apuração da 2ª Promotoria de Justiça de Visconde do Rio Branco aponta que a organização atuou entre 2020 e 2025 em municípios da Zona da Mata, entre eles Visconde do Rio Branco, Juiz de Fora, Ubá, Leopoldina, Matias Barbosa, São João Nepomuceno e Barbacena. O grupo também teria comercializado o cobre para empresas de outros estados.
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Em agosto deste ano, a Polícia Civil concluiu as investigações contra a grande organização criminosa após a operação Cyprium e o inquérito foi encaminhado ao MPMG. A promotoria entendeu que há indícios suficientes de autoria e materialidade dos crimes, e apresenta a denúncia ao Poder Judiciário em setembro.
Ao todo, o MPMG ofereceu quatro denúncias contra integrantes do grupo que, segundo as investigações, exerciam diferentes funções no esquema.
Conforme a promotoria, as investigações identificaram quatro núcleos dentro da organização:
execução dos furtos;
articulação e logística;
receptação, processamento e liderança financeira;
e receptação interestadual.
O grupo foi responsável por mais de 1.400 furtos, e apenas em dois meses o esquema movimentou cerca de R$ 3 milhões em Juiz de Fora.
Em um dos casos, a quadrilha chegou a furtar placas de identificação, crucifixos, imagens de santos, lápides e floreiras do cemitério de Aiuruoca, no Sul de Minas.
Um homem, de 29 anos, dono de um ferro-velho em Juiz de Fora, é apontado como chefe do esquema na Zona da Mata. Ele foi preso em flagrante por receptação qualificada de fios de cobre na primeira fase da operação, realizada em 3 de setembro de 2025.
O g1 entrou em contato com o MPMG para saber se houve outras prisões ou se há pedidos de prisão contra os investigados. Mas não obteve retorno até a última atualização deste reportagem.
Grupo usava uniformes e veículos para simular serviços
Mais de 1 tonelada de fios de cobre foi recuperada em Juiz de Fora
Humberto Campos/TV Integração
De acordo com as denúncias, os integrantes do núcleo executor escolhiam os alvos e retiravam os cabos das redes de concessionárias de serviços públicos.
Parte dos investigados teria experiência profissional na área de telecomunicações e usado conhecimentos técnicos para facilitar os furtos. Para evitar suspeitas, o grupo utilizava uniformes, crachás falsificados, veículos caracterizados, cones de sinalização e documentos adulterados, simulando a realização de serviços de manutenção.
O núcleo de articulação e logística, conforme a investigação, era responsável pelo recrutamento de participantes, organização das equipes, definição dos locais de atuação, fornecimento de veículos e equipamentos, transporte dos materiais e distribuição dos valores obtidos.
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Movimentação financeira supera R$ 150 milhões
A apuração identificou movimentações financeiras superiores a R$ 150 milhões. Segundo o MPMG, parte dos valores era incompatível com a renda formal de alguns dos investigados.
Ainda de acordo com a promotoria, os integrantes utilizavam contas bancárias de terceiros e empresas para movimentar recursos supostamente provenientes das atividades criminosas.
Uma das denúncias trata do núcleo de receptação interestadual. Conforme as investigações, empresários e comerciantes do setor de sucatas de Minas Gerais, Bahia e Rio de Janeiro teriam adquirido grandes quantidades de cobre de origem ilícita.
O material seria posteriormente processado industrialmente e reinserido no mercado formal. O MPMG apontou que as transações não tinham documentação fiscal compatível com os volumes negociados e que mecanismos eram utilizados para ocultar a origem dos bens e dos valores.
Cobre era processado antes da revenda
As investigações também identificaram um núcleo responsável pela receptação local, processamento do cobre e administração financeira da organização.
Segundo o MPMG, os integrantes adquiriam os cabos furtados, armazenavam o material e realizavam processos para descaracterizá-lo, como a retirada de revestimentos e a queima dos fios. A medida, de acordo com as denúncias, dificultava a identificação da origem do cobre e permitia aumentar o valor de revenda.
Denúncias
Nas denúncias, o MPMG atribui aos investigados, conforme a participação de cada um, os crimes de organização criminosa, receptação qualificada e lavagem de capitais.
A promotoria também pediu que os denunciados sejam condenados ao pagamento de indenizações pelos danos causados às concessionárias atingidas e por danos morais coletivos.
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