Keiko Fujimori assume Presidência do Peru nesta terça (28) com Javier Milei na plateia
28/07/2026
(Foto: Reprodução) Keiko Fujimori recebe as credenciais presidenciais em cerimônia em Lima, no Peru, em 15 de julho de 2026
Angela Ponce/Reuters
Keiko Fujimori assume nesta terça-feira (28) a Presidência do Peru, em uma sessão solene no Congresso. A cerimônia marca o retorno da direita ao poder em Lima e conta com o argentino Javier Milei entre os convidados.
✅ Clique aqui para seguir o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp
A cerimônia marca também o retorno do sobrenome Fujimori à Casa de Pizarro, sede do Executivo peruano, em 26 anos.
Keiko saiu vencedora do segundo turno das eleições contra Roberto Sánchez. A votação foi realizada em 7 de junho, mas o resultado oficial só foi divulgado em 3 de julho, após uma contagem apertada que terminou com apenas 49.641 votos separando os dois candidatos.
Esta foi sua quarta candidatura à Presidência do país e a primeira vez em que ela não terminou em segundo lugar no pleito. Nas outras três, ela acabou derrotada também por uma margem mínima de votos.
Sánchez indicou que não reconheceria o resultado e afirmou que recorreria a instâncias internacionais.
Agora no g1
Em seus discursos de vitória, Keiko Fujimori tem falado em união do país frente à divisão política da sociedade peruana.
O presidente da Argentina, Javier Milei, está entre os convidados que confirmaram presença na cerimônia em Lima.
Milei compareceu também à convenção do Partido Liberal (PL), que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, no último sábado.
Em um discurso inflamado em São Paulo, ele valorizou a chamada "onda azul" na América do Sul, que vê a eleição da direita em diferentes países, como a Colômbia e o próprio Peru.
A lista de dignatários presentes também inclui o rei Felipe VI da Espanha e os presidentes José Antonio Kast (Chile), Rodrigo Paz (Bolívia), Daniel Noboa (Equador), Nasry Asfura (Honduras), José Raúl Mulino (Panamá), Santiago Peña (Paraguai) e Yamandú Orsi (Uruguai).
Os Estados Unidos devem enviar uma delegação chefiada pelo vice-secretário de Estado, Christopher Landau. Também são esperadas delegações de Japão, China e Marrocos.
País dividido e crise política
Keiko assume o comando de um Peru profundamente dividido e mergulhado em uma crise política que se arrasta há mais de uma década, com presidentes destituídos em série.
Ela receberá a faixa, inclusive, do presidente interino José María Balcázar Zelada, que foi escolhido pelo Congresso para cumprir um mandato-tampão em fevereiro, após a destituição de José Jerí.
A nova presidente também enfrentará um Legislativo fragmentado: sua legenda, a Força Popular, elegeu as maiores bancadas — 41 deputados e 22 senadores —, mas está longe da maioria em ambas as casas, o que exigirá negociações com forças de direita e de centro.
Aos 51 anos, Keiko está na política desde a adolescência, quando passou a acompanhar o pai, o ditador Alberto Fujimori, em agendas oficiais.
Formada em administração de empresas nos Estados Unidos, ela foi eleita ao Congresso em 2006 com a maior votação já registrada para um parlamentar peruano.
Entre 2018 e 2020, chegou a passar cerca de um ano e meio presa no âmbito de investigações sobre suposto financiamento irregular de campanha, caso posteriormente arquivado.