Discord responde à ANPD e diz que atua para garantir um 'ambiente digital seguro e saudável'

  • 15/08/2026
(Foto: Reprodução)
Após aviso da polícia, Discord demorou 25 minutos para derrubar live que vitimou menina A plataforma Discord enviou à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), na noite desta sexta-feira (14), os esclarecimentos demandados pela agência após a determinação de suspensão das transmissões ao vivo da plataforma no Brasil. No documento, o aplicativo afirma que atua continuamente para que o ambiente digital seja seguro e saudável, rechaçando qualquer prática de violência, automutilação ou incitação a atos lesivos". 💻O Discord é uma plataforma de comunicação amplamente utilizada por jogadores de games online e também por adolescentes. A empresa tem sido alvo de críticas e investigações relacionadas a falhas na moderação de conteúdo e na verificação da idade dos usuários. ➡️Na última quarta-feira (12), a ANPD determinou a suspensão das transmissões ao vivo do Discord em território brasileiro. Isso não significa a suspensão da plataforma, a decisão atingiu apenas a ferramenta de 'lives'. A empresa tinha até essa sexta-feira (14) para entregar os esclarecimentos demandados pela agência, em resposta à determinação e esclarecendo quais são os mecanismos de proteção de crianças e adolescentes adotados no aplicativo. 🔎A ANPD é uma agência reguladora vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública e tem, entre suas atribuições, zelar pela proteção de dados pessoais. Discord Ivan Radic/Flickr Os argumentos apresentados No documento entregue às 23h51, minutos antes do fim do prazo, os advogados da empresa citaram os seguintes mecanismos de controle: Políticas de verificação de idade: a orientação é que "na ausência de verificação conclusiva, a conta seja tratada com as restrições padrão aplicáveis ao público adolescente"; "Central da Família" como solução de controle dos pais, afirmando que a ferramenta permite "monitorar os servidores integrados, a lista de amigos e o tempo de uso dos jovens, além de impor travas para transações financeiras e interações com desconhecidos"; Sobre problemas apontados pela agência e o caso específico de uma adolescente de 13 anos que teria sido induzida a tirar a própria vida na plataforma (entenda mais abaixo), o Discord alegou: que as transmissões que motivaram a medida ocorreram em um grupo privado e que o Discord agiu rapidamente depois de ser comunicado pela polícia; Como justificativa para não ter bloqueado as imagens antes, o aplicativo alega que as chamadas de voz e vídeo têm criptografia, o que impede o monitoramento direto do conteúdo ao vivo; a empresa alega que depende de denúncias de usuários, inteligência artificial e avisos das autoridades; e pede que a ANPD trate a situação como um caso isolado, sustentando que adotou todas as medidas de emergência cabíveis. Discord tem até esta sexta (14) para concluir respostas Caso grave Na última semana, a primeira-dama Janja da Silva afirmou que era necessário retirar do ar, "imediatamente", a plataforma Discord. Ela citou o caso de uma menina de 13 anos que teria sido induzida, por um grupo de adolescentes, a cometer suicídio durante uma transmissão na plataforma. A ação motivou uma operação da Polícia Federal, deflagrada em 4 de agosto. Entre os presos na operação estão cinco adolescentes, de idades entre 13 e 17 anos, e um homem de 18 anos. O chefe do grupo criminoso é um menino de 14 anos, que foi apreendido no Rio. O Discord prestou esclarecimentos sobre o caso, e alegou no documento que houve a "remoção integral do canal e a suspensão das contas envolvidas em menos de 25 minutos". A empresa afirmou também que avaliações técnicas preliminares indicam que o ato consumado não foi transmitido pela plataforma, e que repassou dados e registros aos investigadores. Denúncias contra o Discord aumentaram Documentos do Ministério da Justiça e Segurança Pública mostram, porém, que o uso do Discord em crimes não é um fenômeno restrito ao episódio que levou à decisão da ANPD. Segundo documento enviado pelo ministério ao Congresso há cerca de 15 dias, já foram identificadas pelo menos sete operações policiais, entre 2023 e 2026, envolvendo crimes nos quais houve uso da plataforma. O documento afirma que o Ciberlab, estrutura do Ministério da Justiça voltada à análise de ameaças no ambiente digital, identificou de forma recorrente a utilização de servidores e comunidades do Discord para compartilhamento de conteúdos relacionados a crueldade contra animais, automutilação, incitação ao suicídio, exposição de violência gráfica, disseminação de ideologias extremistas, cyberbullying organizado e coerção psicológica. O ministério também cita transmissões ilícitas envolvendo vítimas vulneráveis, inclusive menores de idade. "O CIBERLAB tem identificado, de forma recorrente, a utilização de servidores e comunidades hospedadas na plataforma Discord para compartilhamento e conteúdos relacionados a crueldade contra animais, automutilação, incitação ao suicídio, exposição de violência gráfica, disseminação de ideologias extremistas, cyberbullying organizado, coerção psicológica e transmissões ilícitas envolvendo vítimas vulneráveis, inclusive menores de idade", diz o documento. O Ministério da Justiça informou ainda que, conforme manifestação da Polícia Federal, existem investigações em andamento envolvendo o uso de plataformas digitais, entre elas o Discord, para a prática de diversos crimes. Entre os delitos citados estão crimes de ódio, indução à automutilação, exploração sexual, cyberbullying e outras condutas violentas. Segundo o ministério, crianças e adolescentes aparecem com frequência nas investigações tanto como vítimas quanto como autores. Suspensão das transmissões A ANPD determinou nesta quarta-feira (12) a suspensão das transmissões ao vivo do Discord em território brasileiro. A decisão é uma medida preventiva e deu à plataforma três dias úteis para cumprir a determinação. A medida não significa que o Discord está suspenso no Brasil. A decisão atinge apenas a ferramenta de transmissões ao vivo. Segundo a agência, a suspensão permanecerá até que a plataforma comprove a adoção de medidas efetivas para proteger crianças e adolescentes durante o uso do serviço.

FONTE: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/08/15/discord-responde-a-anpd.ghtml


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