Caso Miguel: equipe médica contradiz Conselho Tutelar e diz que bebê foi encaminhado ao Gpaci por conta de ferimento meses antes da morte

  • 03/07/2026
(Foto: Reprodução)
Caso Miguel: equipe médica contradiz Conselho Tutelar e diz que bebê foi para Gpaci Os depoimentos da equipe médica da unidade de saúde que atendeu o bebê Miguel, morto após sofrer agressões físicas e abuso sexual em Sorocaba (SP), contradizem a versão do Conselho Tutelar. Em oitiva na Câmara Municipal nesta quinta-feira (2), as profissionais de saúde provaram que a criança foi transferida para o hospital do Grupo de Pesquisa e Assistência ao Câncer Infantil (Gpaci) e o caso foi denunciado no mesmo dia do primeiro atendimento, em 24 de fevereiro de 2026, mais de 100 dias antes da morte do bebê. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp Bebê dá entrada em unidade de saúde morto e com sinais de espancamento e abuso em Sorocaba Reprodução A reunião foi conduzida pela Comissão Especial da Câmara, que investiga se houve omissão ou falha na rede de proteção pública do município. O bebê Miguel deu entrada na Unidade Pré-Hospitalar (UPH) da Zona Norte no dia 24 de fevereiro e faleceu em decorrência das agressões no dia 1º de junho. Durante o depoimento aos vereadores, a técnica de enfermagem Gabriela Matos descreveu o estado em que o bebê foi levado à unidade pelo padrasto em fevereiro: "A criança não estava bem cuidada como um bebê deveria ser. Levei para dar banho por causa da falta de higiene; ele estava com assaduras, mau cheiro, as unhas compridas e manchinhas na testa. Perguntei ao padrasto o que era aquilo e ele disse que o cachorro pulava em cima do menino. Achei estranho e avisei a enfermeira, que acionou a assistência social", relatou a técnica. Técnica de enfermagem da UPA da zona oeste de Sorocaba (SP), Gabriela Matos, afirma confirmou sinais de maus-tratos 100 dias antes de bebê morrer TV TEM/Reprodução A assistente social Ana Paula de Freitas reforçou que a UPH não liberou a criança para voltar para casa com os responsáveis. Ela explicou a linha de ação imediata adotada no plantão. "Na hora ele precisava ir pro Gpaci, pra ver o machucado que estava ali e, nesse meio tempo, eu já fiz um relatório e notifiquei o Conselho tutelar por e-mail", pontuou a assistente na reunião. Os relatos desmentem a versão dada anteriormente pelos conselheiros tutelares de Sorocaba, que alegaram em entrevistas que houve "falha de comunicação" por parte da saúde e que o e-mail não trazia a sinalização de que o caso do bebê Miguel tratava-se de uma urgência de risco de morte. Assistente social, Ana Paula de Freitas, informou que a criança não foi liberada pela unidade e que foi encaminhada para atendimento especializado no Gpaci TV TEM/Reprodução Em nota oficial, a direção do Gpaci confirmou que o bebê deu entrada na instituição após o encaminhamento da UPH, passou por exames e foi submetido a procedimentos cirúrgicos e clínicos indicados para o quadro. Segundo o hospital, o menino apresentou boa evolução e recebeu alta no mesmo dia com orientações para a família. A instituição ressaltou que não pode fornecer detalhes dos prontuários devido ao sigilo médico e à privacidade do paciente. LEIA TAMBÉM Laudo confirma que bebê morto em Sorocaba sofreu agressões físicas e abuso sexual, diz comissão Morte de bebê levanta discussão sobre atendimento a crianças vítimas de maus-tratos em Sorocaba; entenda Conselho Tutelar recebeu alerta de negligência meses antes de morte de bebê com sinais de violência, aponta documento Comissão vai investigar morte de bebê que deu entrada em hospital com sinais de violência; veja o que se sabe sobre o caso Próximas fases das investigações A próxima reunião da Comissão Especial será realizada no dia 16 de julho. Serão ouvidos profissionais da educação e também do hospital Gpaci, que é referência em atendimento pediátrico no município. Conforme apurado pela TV TEM, estes devem ser os últimos depoimentos do caso e a expectativa é que o relatório final seja apresentado no início de agosto. O vereador Roberto Freitas (PL), que é presidente da comissão, destacou que a informação de que Miguel não havia sido liberado era desconhecida pelos parlamentares. "A nossa visão era de que ela tinha sido atendida na zona oeste e liberada para ir pra casa. Aliás, foi uma crítica que o Conselho Tutelar fez para a unidade da zona oeste e, hoje, a gente identifica que houve encaminhamento para o hospital Gpaci, que realizou atendimento posterior a essa criança", disse. Próxima reunião da Comissão Especial que investiga morte de bebê Miguel será realizada no dia 16 de julho, em Sorocaba (SP) TV TEM/Reprodução Falha na comunicação Conselheiras tutelares ouvidas pela comissão, que preferiram não se identificar alegando sofrer ameaças após a repercussão do caso, confirmaram o recebimento da denúncia no dia 24 de fevereiro, mas justificaram que o caso não virou prioridade devido a um "erro de comunicação". Segundo o órgão, a mensagem eletrônica chegou por e-mail sem sinalização de urgência e citava apenas "negligência de higiene". O argumento das conselheiras, no entanto, é rebatido pelo prontuário médico anexado ao e-mail enviado à época. O documento detalhava um cenário severo de maus-tratos e indícios explícitos de violência: Dor, inchaço e secreção na região íntima; Irritação na região anal; Falta de itens básicos (a mãe não levou fralda ou troca de roupa); Alimentação inadequada (o bebê era alimentado com leite diluído em água). Conselho Tutelar de Sorocaba (SP) TV TEM/Reprodução Em sua defesa na Câmara, as conselheiras alegaram que os próprios hospitais deveriam ter retido o bebê e acionado as forças policiais de forma imediata: "Quando o hospital identifica isso, é o próprio hospital que tem que encaminhar a criança para o IML. O Conselho Tutelar não é um órgão que vai detectar se a criança está sofrendo violência sexual. Deveria ter havido uma ligação telefônica. Se ligassem, nós pediríamos com certeza para que essa criança fosse segurada no hospital e o caso teria sido visto no dia 24, não no dia 25 de fevereiro", alegou uma das integrantes. Mesmo com a gravidade do e-mail descrevendo secreções e desnutrição, a apuração do Conselho Tutelar foi encerrada no dia seguinte à denúncia. Uma conselheira se deslocou até a residência da família no dia 25 de fevereiro, mas foi impedida de entrar pela mãe. A fiscalização limitou-se a uma conversa rápida no portão da calçada, com o bebê no colo. A equipe aplicou uma advertência verbal na mãe sobre cuidados básicos de limpeza e deu o caso por resolvido, sem checar nos meses seguintes se a criança continuava passando por consultas médicas ou recebendo amparo social. Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai/noticia/2026/07/03/caso-miguel-equipe-medica-contradiz-conselho-tutelar.ghtml


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