Brasil avalia que EUA atropelaram rito ao indicar embaixador sem consulta prévia

  • 04/08/2026
(Foto: Reprodução)
Brasil avalia que que EUA queimaram etapas na indicação de embaixador Daniel Perez O governo de Donald Trump revogou o visto da embaixadora brasileira nos EUA, Maria Luiza Ribeiro Viotti, nesta terça-feira (4), como medida de recíprocidade contra a demora da aprovação do novo embaixador norte-americano no Brasil, Daniel Perez. No entanto, Brasília avalia que Washington atropelou o rito diplomático ao indicar Perez. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Segundo fontes do governo brasileiro, a indicação de Perez foi enviada ao Senado dos Estados Unidos antes de uma consulta formal ao Brasil, procedimento previsto na prática diplomática internacional e na Convenção de Viena. O Brasil, então, só teria tomado conhecimento da indicação do diplomata quando o nome já estava em tramitação no Congresso norte-americano, apurou a GloboNews. Além do rito, interlocutores do Palácio do Planalto também questionam o momento escolhido pelo governo Trump para pressionar pela nomeação. Segundo essas fontes, durante todo o período em que a embaixada dos Estados Unidos em Brasília esteve sem um embaixador, a Casa Branca não demonstrou preocupação com a demora na substituição do chefe da missão diplomática, que vinha sendo comandada pelo encarregado de negócios, Gabriel Escobar. LEIA TAMBÉM Quem é Maria Luiza Ribeiro Viotti, embaixadora do Brasil nos EUA que teve visto revogado pelo governo Trump Quem é Daniel Perez, o indicado para a embaixada no Brasil que está no centro de nova crise diplomática com os EUA Nos bastidores, a avaliação é que a revogação do visto de Maria Luiza Viotti tem como objetivo pressionar o governo brasileiro a conceder o agrément — autorização diplomática necessária para que um embaixador estrangeiro assuma o cargo — a Daniel Perez. Diplomatas ouvidos pelo governo afirmam que a indicação de Perez não deverá ser rejeitada por motivos ideológicos, mas ressaltam que o Brasil seguirá o procedimento adotado em casos semelhantes. A análise incluirá o histórico do indicado e eventuais manifestações públicas ou condutas que possam ser consideradas incompatíveis com a função diplomática. Além disso, fontes do governo também afirmam que a tendência é que o agrément não seja analisado antes das eleições presidencias de outubro. Alguns integrantes do governo ainda avaliam que a pressão exercida por Washington tem relação com o cenário político brasileiro e interpretam a indicação de Perez, aliado do movimento MAGA ("Make America Great Again"), como parte dessa estratégia. Daniel Perez é filho de cubanos e tornou-se o impasse do mais novo impasse diplomático entre EUA e Brasil Foto: Reprodução/Senado dos EUA Escalada de tensões Não é de hoje que a relação Brasil-EUA não está das melhores. Em julho do ano passado Donald Trump anunciou uma das rodadas de tarifas sobre produtos brasileiros importados pelos norte-americanos. Na época, o republicano justificou o tarifaço pelo que chamou de "caça às bruxas" contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Nos meses seguintes, negociações entre o governo brasileiro e a Casa Branca ajudaram a reduzir as tensões. No fim de 2025, os Estados Unidos aliviaram as tarifas e retiraram algumas sanções contra autoridades brasileiras. Além disso, Lula e Trump se encontraram duas vezes. O presidente brasileiro visitou Washington em 7 de maio para se reunir com o líder americano, que chegou a elogiar o petista após os encontros. No entanto, a relação entre os dois países voltou a se desgastar no fim de maio, quando os Estados Unidos classificaram as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A decisão foi anunciada dias após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, se reunir com Trump e com o secretário de Estado, Marco Rubio, nos Estados Unidos. Semanas depois, os Estados Unidos anunciaram novas tarifas contra o Brasil. Em 22 de julho, entrou em vigor uma taxa de 25% como resultado de uma investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio. A medida foi anunciada após o governo Trump concluir que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA. Entre os exemplos citados estão o sistema de pagamentos PIX e a regulação de plataformas digitais. Dois dias depois, os EUA confirmaram outra tarifa, de 12,5%, contra o Brasil e dezenas de outros países. O governo americano alegou práticas comerciais desleais pela falta de combate ao trabalho forçado. Ainda no dia 24 de julho, o Itamaraty negou vistos a dois diplomatas do Departamento de Estado que viajariam ao Brasil: o secretário-assistente Riley M. Barnes e o subsecretário-assistente Samuel Samson. Os dois foram citados em reportagem do jornal The Washington Post como responsáveis por uma estratégia para questionar a integridade e a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro. Um porta-voz do Departamento de Estado negou que os funcionários pretendiam interferir nas eleições. Segundo os EUA, a visita tinha como objetivo discutir "integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão" com autoridades brasileiras e representantes da sociedade civil. O blog da Andreia Sadi revelou que o governo brasileiro já esperava algum tipo de retaliação após a negativa dos vistos. Fontes do Itamaraty avaliavam uma reação no campo diplomático, com novas restrições de vistos.

FONTE: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/08/04/brasil-avalia-que-eua-atropelaram-rito-ao-indicar-embaixador-sem-consulta-previa.ghtml


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